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Defendida tese de doutorado sobre regeneração da Floresta Amazônica em áreas de agricultura indígena itinerante

No dia 5 de Abril de 2018 o estudante do programa de pós-graduação em botânica da UFV, Pedro Manuel Villa defendeu sua tese de doutorado em Botânica intitulada “Ecological drivers of tree diversity and ecosystem functioning during succession in Amazon: forest resilience after indigenous shifting cultivation”, sob orientação do prof. Sebastião Venâncio Martins e co-orientação do prof. Silvio Nolasco de Oliveira Neto, ambos do Departamento de Engenharia Florestal.

Durante a defesa se teve a oportunidade de estabelecer uma longa discussão com importantes contribuições de todos os membros da banca, o prof. Jéferson Nunes Fregonezi (UFV), profa. Sustanis Horn Kunz (UFES), e Dr. Marcelo Leandro Bueno (pós doc UFV).

Esta tese faz parte de um projeto de pesquisa e desenvolvimento coordenado pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade conjuntamente com comunidades indígenas Piaroa, diversos atores da sociedade civil e instituições no Norte da região Amazônica. Além disso, este projeto foi apoiado por diferentes fontes de financiamento, principalmente pelo Fundo mundial ambiental (GEF) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O projeto se iniciou no ano 2008 frente à necessidade de propor alternativas de desenvolvimento sustentável em comunidades indígenas que apresentam um forte influencia da cultura ocidental que promove mudanças nos padrões culturais no uso da terra (intensificação da agricultura de corte e queima). Estas mudanças no uso da terra têm induzido a um incremento das taxas de desmatamento para o estabelecimento de sistemas agrícolas itinerantes (coivaras) que tem permitido abastecer demandas locais e regionais de produtos agrícolas. A diminuição do tempo de descanso da terra (pousio) e incremento dos ciclos de coivaras tem levado a uma evidente degradação florestal, que reduz a resiliencia das florestas (menor capacidade de recuperação), e em consequência perda de biodiversidade e funções ecosistémicas (ex., produção e estoque de biomassa). As alterações de processos ecossistémicos têm graves implicações no equilíbrio global entre atmosfera e biosfera (balanços hidrológicos, climáticos).

Por este motivo, a partir do ano 2009 se iniciou o trabalho de campo com a finalidade de analisar os processos ecológicos que determinam a dinâmica de uso da terra nestas comunidades indígenas e ecossistemas florestais, analisando o impacto da agricultura itinerante sobre a biodiversidade e processos ecosistémicos durante a sucessão secundaria. O proposito de entender estes processos ecológicos tem sido com o objetivo de definir estratégias de conservação e manejo de florestas secundarias assim como alternativas de produção agrícola sustentável (ex, Agroflorestal). Durante este período, se contou com o valioso apoio do Lic. Norman Mota Cancio, quem é técnico florestal nativo da etnia Piaroa, e que tem sido fundamental para superar barreiras culturais e comunicacionais no desenvolvimento de atividades do projeto dentro destas comunidades.

Neste contexto, o estudante Pedro Manuel Villa, teve a oportunidade de continuar esta pesquisa no Laboratório de Restauração Florestal da UFV como bolsista da Organização dos Estados Americanos (OEA) desde o ano 2014 através do desenvolvimento de sua tese de doutorado. Assim, o objetivo principal desta pesquisa foi avaliar os efeitos dos modeladores ecológicos sobre a diversidade taxonômica e funcional (alfa e beta) e sua relação com funcionamento ecossitêmico durante a sucessão secundária de uma floresta Amazônica.

Esta pesquisa foi dividida em seis capítulos, dois capítulos para descrever os efeitos do padrão de uso da terra sobre a recuperação da diversidade e perda da resiliência florestal, dois capítulos para explicar os efeitos dos modeladores ambientais e antropogênicos sobre a diversidade taxonômica e funcional (alfa e beta) e os efeitos sobre o funcionamento ecossitêmico durante a sucessão, e dois capítulos como recomendações para o manejo e conservação de florestas da Amazônia.

Neste estudo, foi demostrado como a intensidade do uso da terra induz uma perda de resiliência florestal depois vários ciclos de coivaras. Os resultados deste primeiro capitulo foram aceitos para sua publicação na revista Forest Ecology and Management. Pelo contrario, se evidenciou que com distúrbios intermediários depois de um único ciclo de agricultura ocorre uma rápida recuperação da diversidade, atingindo aproximadamente um 70% da riqueza de uma floresta madura depois de 20 anos. No entanto, a recuperação da composição das espécies nesse mesmo período atingiu uma média de 25% em relação à floresta madura.

Os resultados de este pesquisa proporcionam importantes evidências sobre relação biodiversidade-função ecossistêmica durante a sucessão secundária de uma floresta tropical. Assim, neste estudo se indica que diferentes modeladores (idade de sucessão, solos, estrutura da floresta) podem ser bons preditores do funcionamento ecossistêmico.

Além disso, este estudo contribui no entendimento da relação BEF ao longo da sucessão secundária, e pode ajudar a predizer como as florestas tropicais responderão aos cenários futuros de mudanças climáticas. Por esse motivo, foi discutido que para aumentar a eficiência na implementação de estratégias REDD+ em florestas da Amazônia, é necessário compreender simultaneamente a relação de padrões e processos dos ecossistemas florestais com o sistema sócio-ecológico, através da análise de preditores biofísicos e antropogênicos, a partir de um nível local para uma escala regional. Estes dois últimos capítulos foram publicados na revista chilena Bosque e podem ser acessados através dos links:

https://scielo.conicyt.cl/pdf/bosque/v38n3/art01.pdf

https://scielo.conicyt.cl/pdf/bosque/v36n3/art02.pdf

Noas fotos abaixo, momentos da defesa de tese e das áreas de estudo.

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Pedro Villa durante sua defesa de tese

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Banca da tese: prof. Jeferson Fregonezi, Pedro, prof. Venâncio, profa. Sustanis, prof. Silvio e Dr. Marcelo

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Área recém desmatada e queimada pelos índios para implantação de culturas agrícolas

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Cultura de mandioca e outras implantada na área

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Floresta secundária regenerada em área abandona mais antiga

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